Data: 12 setembro 2026
Horário: 17h
Casa da Imagem recebe lançamento de Cartografias do Espírito, de Pedro Azevedo Rocha
Sinopse:
E se o Mosteiro da Batalha não fosse apenas um monumento? E se a planta das suas fundações escondesse uma correspondência simbólica com o território português — rios, limites e formas de uma geografia transfigurada? Em Cartografias do Espírito, o autor propõe uma leitura original do Mosteiro de Santa Maria da Vitória, não apenas como obra-prima da arquitetura gótica, mas como imagem sígnica de um território e chave de uma geografia velada. Ao cruzar a cartografia, o património, a semiótica e o simbolismo religioso, o autor explora a hipótese de que o mosteiro atua simbolicamente sobre o território, e o povo que o habita, como uma máquina de consagração. A partir das categorias de Charles Peirce — Primeiridade, Secundidade e Terceiridade —, este ensaio singular reinterpreta o monumento como mediador entre o visível e o invisível, entre o espaço construído e uma configuração celeste do território português, reabrindo a reflexão sobre o espaço que habitamos e a promessa de uma terra espiritual.

Pedro Azevedo Rocha (Gaia, 1975), interpretou desde cedo o mundo através de padrões e imagens, antes das palavras. Formou-se em Engenharia Eletrotécnica (lic.) e em Bioengenharia (Mst). Foi em contexto de investigação que estudou Semiótica, e com esta um modo de estruturar questões sobre a noção de espaço. O interesse pelo conhecimento para além da História, aliado a uma imaginação inquisitiva, orientou o seu percurso numa abordagem interdisciplinar, passando pela investigação em sistemas de informação e ciências da comunicação. Autor de artigos em áreas relacionadas com semiótica social e do espaço, realidade aumentada e cartografia social, trabalha atualmente em tecnologias digitais para a saúde. O seu trabalho mais recente centra-se na compreensão de como os lugares conservam memória, explorando como a forma construída pode tornar visível uma dimensão cultural e espiritual mais profunda. Entre a análise do espaço, a mitogeometria e a cartografia do imaginário, propõe formas de olhar o património português e os modos de inscrição simbólica do território.

